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Destaques

Villamar Shopping: Inauguração em 2028, Lojas e Quiosques

  Villamar Shopping: novo gigante de Praia Grande abre em 2028, já tem 60% comercializado e prevê até 6 mil empregos Com 345 lojas planejadas e 42 mil m² de área bruta locável, o empreendimento do Grupo Mendes avança na Baixada Santista. Entenda a mudança na data de inauguração, as marcas anunciadas e o que lojistas interessados em abrir lojas ou quiosques precisam saber. Praia Grande, no litoral de São Paulo, prepara-se para receber um dos maiores projetos comerciais da região: o Villamar Shopping , empreendimento do Grupo Mendes que pretende ampliar a oferta de lojas, serviços, gastronomia e entretenimento na Baixada Santista. A principal novidade é a atualização do calendário. Em entrevista publicada pelo jornal A Tribuna em 18 de outubro de 2026 , Paulo Mendes, presidente do Grupo Mendes, informou que a inauguração está prevista para abril de 2028 . A data substitui a previsão anterior de abertura em 2027. Na mesma entrevista, o empresário afirmou que o empreendimento atingiu ...

Um shopping quase sem clientes pode vender bilhões? O experimento chinês que tenta reinventar o shopping center

Imagine entrar em um shopping de aproximadamente 260 mil metros quadrados.



As luzes estão acesas.

As vitrines estão montadas.

Existem centenas de operações.

Vendedores estão trabalhando.

Produtos estão expostos.

As escadas rolantes continuam funcionando.

Mas existe algo estranho.

Os corredores podem estar praticamente vazios.

Onde estão os clientes?

Em muitos casos, do outro lado de uma tela.

Esse lugar existe.

É o Yaowang X27 Park, em Hangzhou, na China.

E talvez seja um dos experimentos mais interessantes dos últimos anos para quem acompanha shopping centers, varejo, comércio eletrônico e o futuro dos pontos comerciais.

O empreendimento foi concebido para aproximar dois universos que durante muitos anos pareciam competir entre si:

O SHOPPING FÍSICO

e

O COMÉRCIO DIGITAL.

Só que existe uma diferença fundamental.

No X27, o consumidor não precisa necessariamente entrar no shopping.

A loja vai até ele.

PELA CÂMERA.

O SHOPPING ONDE A VITRINE TAMBÉM É UM ESTÚDIO

O Yaowang X27 Park foi inaugurado em dezembro de 2023, no distrito de Linping, em Hangzhou.

Segundo informações divulgadas na época pela imprensa local de Hangzhou, o complexo possui aproximadamente 260 mil metros quadrados.

A proposta inicial era extraordinariamente ambiciosa.

Cerca de 350 operações.

Mais de 350 transmissões ao vivo simultaneamente.

Mais de 100 mil produtos disponíveis no ecossistema.

E potencial anunciado na inauguração para incorporar milhares de apresentadores e criadores às operações de live commerce.

A própria Yaowang apresenta o X27 como um complexo de consumo que integra o ambiente digital e o físico.

Na prática, muitas lojas podem funcionar também como:

loja;

showroom;

cenário;

estúdio;

espaço para criação de conteúdo;

ponto de demonstração;

e estrutura de vendas digitais.

É quase como transformar cada operação comercial em um pequeno canal de televisão com uma loja atrás da câmera.

MAS O QUE É LIVE COMMERCE?

Live commerce é uma forma de venda realizada por transmissão ao vivo.

Imagine uma apresentadora diante de uma câmera.

Ela demonstra um produto.

Explica suas características.

Responde perguntas.

Experimenta.

Compara.

Apresenta uma oferta.

E quem está assistindo pode comprar pelo ambiente digital.

É uma combinação de:

ENTRETENIMENTO
+
CONTEÚDO
+
INFLUÊNCIA
+
ATENDIMENTO
+
COMÉRCIO ELETRÔNICO.

Na China, esse formato alcançou grande escala.

E o X27 levou essa lógica para dentro de um imóvel comercial gigantesco.

O CONSUMIDOR MUDOU DE LUGAR

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de entender o X27.

O cliente não desapareceu.

Ele mudou de lugar.

No shopping tradicional, normalmente pensamos assim:

PESSOA
↓
ENTRA NO SHOPPING
↓
ANDA PELO CORREDOR
↓
VÊ A VITRINE
↓
ENTRA NA LOJA
↓
COMPRA.

No live commerce, a jornada pode ser completamente diferente:

CONSUMIDOR
↓
ABRE O CELULAR
↓
ENCONTRA UMA LIVE
↓
CONHECE O PRODUTO
↓
INTERAGE
↓
COMPRA.

O cliente pode estar a centenas ou milhares de quilômetros daquela loja.

Isso muda profundamente a relação entre:

PONTO COMERCIAL

e

AUDIÊNCIA.

POR QUE ELE FICOU CONHECIDO COMO “SHOPPING FANTASMA”?

O termo chama atenção.

Mas precisa ser explicado corretamente.

“Shopping fantasma” não é o posicionamento oficial do X27.

A expressão aparece em reportagens pelo contraste entre corredores com pouco movimento e uma intensa atividade comercial acontecendo através das transmissões.

Poucos consumidores fisicamente presentes não significam necessariamente ausência de atividade comercial.

Reportagens sobre o empreendimento mostraram justamente essa situação:

CORREDORES COM POUCO MOVIMENTO.

CÂMERAS LIGADAS.

VENDEDORES TRABALHANDO.

CONSUMIDORES DO OUTRO LADO DA TELA.

UM SHOPPING QUE FUNCIONA COMO INFRAESTRUTURA DE CONTEÚDO

É aqui que a história fica ainda mais interessante.

Talvez seja limitado analisar o X27 apenas como um shopping center tradicional.

Uma reportagem local publicada poucos dias depois da inauguração já fazia uma observação interessante:

o empreendimento parecia, em muitos aspectos, mais uma grande base de transmissões do que simplesmente um centro comercial.

Em diferentes áreas havia:

estúdios;

espaços para seleção de produtos;

áreas de transmissão;

salas;

estruturas para criadores;

e operações comerciais cercadas por infraestrutura digital.

A página institucional da Yaowang apresenta o empreendimento como estrutura capaz de apoiar transmissões, vídeos curtos, eventos, produções audiovisuais e criadores.

Ou seja:

O IMÓVEL DEIXA DE SER APENAS O LUGAR ONDE A VENDA ACONTECE.

ELE TAMBÉM PASSA A SER O LUGAR ONDE O CONTEÚDO QUE PODE GERAR A VENDA É PRODUZIDO.

MAS EXISTE UMA PARTE DA HISTÓRIA QUE NÃO PODE SER IGNORADA

Se terminássemos a matéria aqui, seria fácil chegar a uma conclusão:

“Esse é o shopping do futuro.”

Mas seria precipitado.

Porque a história do X27 também oferece um alerta importante.

Em reportagem publicada pela Exame em 3 de outubro de 2026, o empreendimento voltou a chamar atenção justamente porque o modelo não prosperou exatamente como havia sido imaginado inicialmente.

Segundo a publicação, a Yaowang terminou 2025 com queda de 31% na receita e mais um ano de prejuízo.

A reportagem também aponta que o X27 aparece apenas pontualmente no relatório anual mais recente da companhia.

Isso muda a leitura.

O X27 não deve ser observado simplesmente como:

“A fórmula que substituirá os shoppings.”

Talvez seja muito mais interessante observá-lo como:

UM GRANDE LABORATÓRIO DO VAREJO.

MÉTODO POD — APRENDA TAMBÉM COM O QUE NÃO FUNCIONOU COMO ESPERADO

Existe uma tendência natural no mundo dos negócios.

Quando aparece uma novidade impressionante, queremos descobrir rapidamente:

“Isso vai substituir o modelo atual?”

Talvez essa não seja a melhor pergunta.

Uma pergunta mais útil pode ser:

“O QUE PODEMOS APRENDER COM ESSE EXPERIMENTO?”

O X27 pode ensinar pelo que funcionou.

E também pelo que não aconteceu como originalmente projetado.

Esse é um princípio importante para qualquer empresário:

NÃO COPIE O FORMATO.

ENTENDA A LÓGICA.

O QUE O X27 ESTÁ REALMENTE TESTANDO?

Na nossa leitura, existem pelo menos cinco ideias muito importantes sendo testadas ali.

1. A LOJA PODE VENDER PARA QUEM NÃO ESTÁ NA FRENTE DELA

Imagine entrar em um shopping de aproximadamente 260 mil metros quadrados.

As luzes estão acesas.

As vitrines estão montadas.

Existem centenas de operações.

Vendedores estão trabalhando.

Produtos estão expostos.

As escadas rolantes continuam funcionando.

Mas existe algo estranho.

Os corredores podem estar praticamente vazios.

Onde estão os clientes?

Em muitos casos, do outro lado de uma tela.

Esse lugar existe.

É o Yaowang X27 Park, em Hangzhou, na China.

E talvez seja um dos experimentos mais interessantes dos últimos anos para quem acompanha shopping centers, varejo, comércio eletrônico e o futuro dos pontos comerciais.

O empreendimento foi concebido para aproximar dois universos que durante muitos anos pareciam competir entre si:

O SHOPPING FÍSICO

e

O COMÉRCIO DIGITAL.

Só que existe uma diferença fundamental.

No X27, o consumidor não precisa necessariamente entrar no shopping.

A loja vai até ele.

PELA CÂMERA.

O SHOPPING ONDE A VITRINE TAMBÉM É UM ESTÚDIO


O Yaowang X27 Park foi inaugurado em dezembro de 2023, no distrito de Linping, em Hangzhou.

Segundo informações divulgadas na época pela imprensa local de Hangzhou, o complexo possui aproximadamente 260 mil metros quadrados.

A proposta inicial era extraordinariamente ambiciosa.

Cerca de 350 operações.

Mais de 350 transmissões ao vivo simultaneamente.

Mais de 100 mil produtos disponíveis no ecossistema.

E potencial anunciado na inauguração para incorporar milhares de apresentadores e criadores às operações de live commerce.

A própria Yaowang apresenta o X27 como um complexo de consumo que integra o ambiente digital e o físico.

Na prática, muitas lojas podem funcionar também como:

loja;

showroom;

cenário;

estúdio;

espaço para criação de conteúdo;

ponto de demonstração;

e estrutura de vendas digitais.

É quase como transformar cada operação comercial em um pequeno canal de televisão com uma loja atrás da câmera.

MAS O QUE É LIVE COMMERCE?

Live commerce é uma forma de venda realizada por transmissão ao vivo.

Imagine uma apresentadora diante de uma câmera.

Ela demonstra um produto.

Explica suas características.

Responde perguntas.

Experimenta.

Compara.

Apresenta uma oferta.

E quem está assistindo pode comprar pelo ambiente digital.

É uma combinação de:

ENTRETENIMENTO
+
CONTEÚDO
+
INFLUÊNCIA
+
ATENDIMENTO
+
COMÉRCIO ELETRÔNICO.

Na China, esse formato alcançou grande escala.

E o X27 levou essa lógica para dentro de um imóvel comercial gigantesco.

O CONSUMIDOR MUDOU DE LUGAR

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de entender o X27.

O cliente não desapareceu.

Ele mudou de lugar.

No shopping tradicional, normalmente pensamos assim:

PESSOA
↓
ENTRA NO SHOPPING
↓
ANDA PELO CORREDOR
↓
VÊ A VITRINE
↓
ENTRA NA LOJA
↓
COMPRA.

No live commerce, a jornada pode ser completamente diferente:

CONSUMIDOR
↓
ABRE O CELULAR
↓
ENCONTRA UMA LIVE
↓
CONHECE O PRODUTO
↓
INTERAGE
↓
COMPRA.

O cliente pode estar a centenas ou milhares de quilômetros daquela loja.

Isso muda profundamente a relação entre:

PONTO COMERCIAL

e

AUDIÊNCIA.

POR QUE ELE FICOU CONHECIDO COMO “SHOPPING FANTASMA”?

O termo chama atenção.

Mas precisa ser explicado corretamente.

“Shopping fantasma” não é o posicionamento oficial do X27.

A expressão aparece em reportagens pelo contraste entre corredores com pouco movimento e uma intensa atividade comercial acontecendo através das transmissões.

Poucos consumidores fisicamente presentes não significam necessariamente ausência de atividade comercial.

Reportagens sobre o empreendimento mostraram justamente essa situação:

CORREDORES COM POUCO MOVIMENTO.

CÂMERAS LIGADAS.

VENDEDORES TRABALHANDO.

CONSUMIDORES DO OUTRO LADO DA TELA.

UM SHOPPING QUE FUNCIONA COMO INFRAESTRUTURA DE CONTEÚDO

É aqui que a história fica ainda mais interessante.

Talvez seja limitado analisar o X27 apenas como um shopping center tradicional.

Uma reportagem local publicada poucos dias depois da inauguração já fazia uma observação interessante:

o empreendimento parecia, em muitos aspectos, mais uma grande base de transmissões do que simplesmente um centro comercial.

Em diferentes áreas havia:

estúdios;

espaços para seleção de produtos;

áreas de transmissão;

salas;

estruturas para criadores;

e operações comerciais cercadas por infraestrutura digital.

A página institucional da Yaowang apresenta o empreendimento como estrutura capaz de apoiar transmissões, vídeos curtos, eventos, produções audiovisuais e criadores.

Ou seja:

O IMÓVEL DEIXA DE SER APENAS O LUGAR ONDE A VENDA ACONTECE.

ELE TAMBÉM PASSA A SER O LUGAR ONDE O CONTEÚDO QUE PODE GERAR A VENDA É PRODUZIDO.

MAS EXISTE UMA PARTE DA HISTÓRIA QUE NÃO PODE SER IGNORADA

Se terminássemos a matéria aqui, seria fácil chegar a uma conclusão:

“Esse é o shopping do futuro.”

Mas seria precipitado.

Porque a história do X27 também oferece um alerta importante.

Em reportagem publicada pela Exame em 3 de outubro de 2026, o empreendimento voltou a chamar atenção justamente porque o modelo não prosperou exatamente como havia sido imaginado inicialmente.

Segundo a publicação, a Yaowang terminou 2025 com queda de 31% na receita e mais um ano de prejuízo.

A reportagem também aponta que o X27 aparece apenas pontualmente no relatório anual mais recente da companhia.

Isso muda a leitura.

O X27 não deve ser observado simplesmente como:

“A fórmula que substituirá os shoppings.”

Talvez seja muito mais interessante observá-lo como:

UM GRANDE LABORATÓRIO DO VAREJO.

MÉTODO POD — APRENDA TAMBÉM COM O QUE NÃO FUNCIONOU COMO ESPERADO

Existe uma tendência natural no mundo dos negócios.

Quando aparece uma novidade impressionante, queremos descobrir rapidamente:

“Isso vai substituir o modelo atual?”

Talvez essa não seja a melhor pergunta.

Uma pergunta mais útil pode ser:

“O QUE PODEMOS APRENDER COM ESSE EXPERIMENTO?”

O X27 pode ensinar pelo que funcionou.

E também pelo que não aconteceu como originalmente projetado.

Esse é um princípio importante para qualquer empresário:

NÃO COPIE O FORMATO.

ENTENDA A LÓGICA.

O QUE O X27 ESTÁ REALMENTE TESTANDO?

Na nossa leitura, existem pelo menos cinco ideias muito importantes sendo testadas ali.

1. A LOJA PODE VENDER PARA QUEM NÃO ESTÁ NA FRENTE DELA

Esse talvez seja o conceito mais poderoso.

Historicamente, localização é uma das variáveis centrais do varejo físico.

Ainda continua sendo.

Mas canais digitais permitem que uma operação física tenha uma audiência muito maior do que o corredor onde está instalada.

2. A LOJA PODE SER TAMBÉM UM ESTÚDIO

Uma operação comercial pode deixar de ser apenas cenário para atendimento presencial.

Ela também pode produzir:

vídeos;

lives;

demonstrações;

lançamentos;

reviews;

conteúdo para redes sociais.

3. O VENDEDOR PODE SE TRANSFORMAR EM APRESENTADOR

Isso muda inclusive o perfil da equipe.

O profissional pode precisar:

conhecer profundamente o produto;

apresentá-lo diante de uma câmera;

responder perguntas;

demonstrar;

criar relacionamento;

e vender simultaneamente para uma audiência digital.

4. O ESTOQUE PODE ATENDER DOIS MUNDOS

A mesma estrutura pode estar relacionada a vendas presenciais e digitais.

Isso aumenta a importância de:

logística;

controle;

separação;

embalagem;

expedição;

integração tecnológica.

5. O METRO QUADRADO PODE TER OUTRA FUNÇÃO

Essa talvez seja a discussão mais interessante para o setor imobiliário.

Se parte da venda acontece digitalmente, determinado espaço comercial pode começar a ser avaliado também pela sua capacidade de produzir conteúdo e atender uma audiência remota.

E O QUE ISSO TEM A VER COM QUIOSQUES?

Muito.

Talvez mais do que pareça.

Imagine um quiosque de:

cosméticos;

semijoias;

óculos;

acessórios;

eletrônicos;

moda;

presentes;

doces;

produtos especializados.

Tradicionalmente, pensamos:

quantas pessoas passam na frente?

quantas param?

quantas compram?

Mas imagine acrescentar outras perguntas:

O QUIOSQUE PODE SER USADO PARA PRODUZIR CONTEÚDO?

EXISTE UM BOM ÂNGULO PARA CÂMERA?

A ILUMINAÇÃO AJUDA NA APRESENTAÇÃO DOS PRODUTOS?

A IDENTIDADE VISUAL FUNCIONA TAMBÉM EM VÍDEO?

O PRODUTO PODE SER DEMONSTRADO EM UMA LIVE?

EXISTE ESPAÇO PARA ORGANIZAR PEDIDOS?

A OPERAÇÃO CONSEGUE ATENDER CLIENTES PRESENCIAIS E DIGITAIS?

Perceba o que aconteceu.

Nós deixamos de pensar somente em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA.

E começamos a pensar em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA + MÍDIA + CONTEÚDO + RELACIONAMENTO.

DO CORREDOR PARA A TELA

Em outra matéria do POD Shopping fizemos uma recomendação:

antes de escolher um ponto para quiosque, passe um tempo observando o shopping.

Observe:

fluxo;

público;

comportamento;

operações;

visibilidade;

concorrentes.

Essa lógica continua válida.

Mas o X27 acrescenta uma pergunta fascinante:

E SE PARTE DOS SEUS CLIENTES NUNCA PASSAR NA FRENTE DO SEU QUIOSQUE?

É uma mudança enorme.

O corredor continua importante.

Mas pode deixar de ser o único corredor.

Existe também o:

FEED.

A busca.

O vídeo.

A live.

A rede social.

O WhatsApp.

O marketplace.

O site.

O consumidor pode encontrar a operação por diferentes caminhos.

O NOVO FLUXO PODE SER DIGITAL

No shopping tradicional, uma das perguntas é:

QUANTAS PESSOAS PASSAM AQUI?

No comércio conectado, outra pergunta aparece:

QUANTAS PESSOAS CONSEGUIMOS ALCANÇAR A PARTIR DAQUI?

São perguntas diferentes.

Uma mede fluxo físico.

A outra mede potencial de audiência.

E as duas podem coexistir.

ISSO SIGNIFICA QUE O SHOPPING TRADICIONAL VAI DESAPARECER?

Não há base para afirmar isso.

O próprio caso do X27 mostra que simplesmente transformar um imóvel em uma grande estrutura de live commerce não garante automaticamente sucesso econômico.

Além disso, shopping centers cumprem várias funções que vão além da compra:

alimentação;

entretenimento;

serviços;

lazer;

encontro;

experiência;

conveniência;

eventos;

e integração com outros usos urbanos.

Portanto, talvez a discussão mais interessante não seja:

FÍSICO OU DIGITAL?

Mas:

COMO O FÍSICO E O DIGITAL PODEM FUNCIONAR JUNTOS?

O BRASIL ESTÁ OLHANDO PARA ESSA EXPERIÊNCIA

O caso do X27 também passou a chamar atenção do setor brasileiro.

Reportagem da Exame publicada em outubro de 2026 relata que representantes ligados à Abrasce visitaram o empreendimento e observam o modelo como referência para pensar novas formas de integrar espaços físicos e vendas digitais.

Isso não significa que veremos amanhã um X27 brasileiro de 260 mil metros quadrados.

Mas significa que a discussão chegou ao setor.

E isso é relevante.

O SHOPPING DO FUTURO TALVEZ NÃO SEJA UM FORMATO

Talvez esse seja um dos maiores aprendizados.

Quando pensamos em “shopping do futuro”, imaginamos um prédio diferente.

Mais tecnológico.

Mais digital.

Mais automatizado.

Mas talvez o futuro não seja determinado somente pela arquitetura.

Pode ser determinado pela capacidade do empreendimento de conectar:

ESPAÇO
+
PESSOAS
+
CONTEÚDO
+
TECNOLOGIA
+
LOGÍSTICA
+
DADOS
+
COMÉRCIO.

EXPERIÊNCIA DE FÁBRICA — O PROJETO TAMBÉM PODE PRECISAR MUDAR

Durante décadas, o projeto de uma loja ou quiosque foi pensado principalmente para quem estava fisicamente diante dele.

Isso continuará sendo fundamental.

Mas novas operações podem acrescentar outras necessidades.

Por exemplo:

iluminação adequada para conteúdo;

fundos visualmente interessantes;

posicionamento de produtos;

infraestrutura elétrica;

conectividade;

organização de estoque;

espaço para equipamentos;

ângulos de câmera;

acústica;

identidade visual que funcione presencialmente e em vídeo.

Isso não significa transformar todo quiosque em estúdio.

Significa fazer uma pergunta antes de projetar:

COMO ESSA MARCA PRETENDE VENDER?

MÉTODO POD — O QUIOSQUE DE 4 CAMADAS

Para organizar essa reflexão, criamos um exercício.

Pense no futuro quiosque em quatro camadas:

CAMADA 1 — ESPAÇO

Como funciona fisicamente?

CAMADA 2 — OPERAÇÃO

Como funcionários, produtos, equipamentos e clientes utilizam esse espaço?

CAMADA 3 — MARCA

Como a identidade é percebida por quem passa?

CAMADA 4 — AUDIÊNCIA

Como essa operação pode alcançar pessoas que não estão fisicamente naquele corredor?

ESPAÇO
+
OPERAÇÃO
+
MARCA
+
AUDIÊNCIA.

Talvez os projetos comerciais dos próximos anos precisem conversar cada vez mais com essas quatro dimensões.

MAS NÃO CAIA NA ARMADILHA DA MODA

Live commerce pode ser interessante.

Isso não significa que seja adequado para todos os negócios.

Antes de investir em tecnologia ou modificar uma operação porque determinado modelo ficou famoso, pergunte:

Meu produto funciona bem em demonstração?

Meu público consome esse tipo de conteúdo?

Minha equipe consegue operar esse canal?

Existe logística?

Existe margem?

Existe audiência?

Existe estratégia?

Existe capacidade para manter produção constante de conteúdo?

Tecnologia sem modelo de negócio continua sendo apenas tecnologia.

CHECKLIST POD — SEU QUIOSQUE PODERIA VENDER ALÉM DO CORREDOR?

Responda:

1. Meu produto funciona bem em vídeo?

2. Ele pode ser demonstrado ao vivo?

3. Existe conteúdo interessante para produzir sobre ele?

4. Minha equipe conhece profundamente o produto?

5. A identidade visual funciona na câmera?

6. Existe iluminação adequada?

7. Há conectividade suficiente?

8. Existe espaço para organizar pedidos?

9. O estoque suporta vendas adicionais?

10. Minha logística consegue atender clientes fora do shopping?

11. Existe canal digital de venda?

12. Consigo medir de onde vieram os pedidos?

13. Existe alguém responsável pelo conteúdo?

14. A operação presencial continuaria funcionando bem durante uma transmissão?

15. Essa estratégia realmente faz sentido para meu cliente?

Novamente:

não existe nota.

Não existe obrigação de fazer live commerce.

O objetivo é apenas ampliar a maneira de pensar o ponto comercial.

O X27 NÃO É UMA RESPOSTA. É UMA PERGUNTA.

Talvez essa seja a conclusão mais importante desta história.

O Yaowang X27 Park não provou que todos os shoppings deveriam se transformar em centros de live commerce.

Também não provou que consumidores deixarão de frequentar shopping centers.

E seus resultados posteriores recomendam cautela com previsões exageradas.

Mas ele colocou uma pergunta enorme diante do varejo:

O QUE ACONTECE QUANDO O ALCANCE DE UMA LOJA DEIXA DE TERMINAR NA PORTA?

Talvez essa pergunta seja mais importante do que o próprio edifício.

DE UM LADO, O CORREDOR. DO OUTRO, O MUNDO.

Durante décadas, o valor de uma operação comercial esteve profundamente ligado ao lugar onde ela estava.

Isso continua relevante.

Mas agora existe outra camada.

Uma câmera pode transformar alguns metros quadrados em uma vitrine para pessoas que estão longe daquele ponto.

Uma rede social pode levar uma operação de shopping para consumidores que nunca visitaram aquele empreendimento.

Um vendedor pode atender quem está na frente do balcão e, em outro momento, apresentar o mesmo produto para uma audiência digital.

Isso não elimina o espaço físico.

Pode aumentar sua função.

CONCLUSÃO

Entre chamar o X27 de “shopping fantasma” ou “shopping do futuro”, talvez exista uma definição melhor:

LABORATÓRIO.

Um laboratório gigantesco onde varejo físico, comércio eletrônico, entretenimento, influência, tecnologia e logística foram colocados dentro do mesmo empreendimento.

Algumas hipóteses parecem poderosas.

Outras ainda precisam provar sua sustentabilidade.

E algumas talvez sejam completamente reformuladas.

Mas existe uma lição que vale para shopping centers, lojistas, franqueadores, fabricantes de quiosques e qualquer pessoa que esteja pensando no futuro do varejo:

O PONTO COMERCIAL NÃO PRECISA TERMINAR ONDE TERMINA O CORREDOR.

Talvez o próximo passo do varejo não seja escolher entre:

LOJA FÍSICA

ou

LOJA DIGITAL.

Talvez seja descobrir como transformar o espaço físico em uma plataforma capaz de trabalhar nos dois mundos.

POD SHOPPING

No POD Shopping acompanhamos shopping centers, quiosques, franquias, varejo, tecnologia e as transformações que podem mudar a maneira como compramos e vendemos.

Nosso objetivo não é anunciar qual será “o futuro”.

É observar os experimentos que estão acontecendo agora e perguntar:

O QUE ELES PODEM NOS ENSINAR?

FONTES E REFERÊNCIAS

Imagine entrar em um shopping de aproximadamente 260 mil metros quadrados.

As luzes estão acesas.

As vitrines estão montadas.

Existem centenas de operações.

Vendedores estão trabalhando.

Produtos estão expostos.

As escadas rolantes continuam funcionando.

Mas existe algo estranho.

Os corredores podem estar praticamente vazios.

Onde estão os clientes?

Em muitos casos, do outro lado de uma tela.

Esse lugar existe.

É o Yaowang X27 Park, em Hangzhou, na China.

E talvez seja um dos experimentos mais interessantes dos últimos anos para quem acompanha shopping centers, varejo, comércio eletrônico e o futuro dos pontos comerciais.

O empreendimento foi concebido para aproximar dois universos que durante muitos anos pareciam competir entre si:

O SHOPPING FÍSICO

e

O COMÉRCIO DIGITAL.

Só que existe uma diferença fundamental.

No X27, o consumidor não precisa necessariamente entrar no shopping.

A loja vai até ele.

PELA CÂMERA.

O SHOPPING ONDE A VITRINE TAMBÉM É UM ESTÚDIO

O Yaowang X27 Park foi inaugurado em dezembro de 2023, no distrito de Linping, em Hangzhou.

Segundo informações divulgadas na época pela imprensa local de Hangzhou, o complexo possui aproximadamente 260 mil metros quadrados.

A proposta inicial era extraordinariamente ambiciosa.

Cerca de 350 operações.

Mais de 350 transmissões ao vivo simultaneamente.

Mais de 100 mil produtos disponíveis no ecossistema.

E potencial anunciado na inauguração para incorporar milhares de apresentadores e criadores às operações de live commerce.

A própria Yaowang apresenta o X27 como um complexo de consumo que integra o ambiente digital e o físico.

Na prática, muitas lojas podem funcionar também como:

loja;

showroom;

cenário;

estúdio;

espaço para criação de conteúdo;

ponto de demonstração;

e estrutura de vendas digitais.

É quase como transformar cada operação comercial em um pequeno canal de televisão com uma loja atrás da câmera.

MAS O QUE É LIVE COMMERCE?

Live commerce é uma forma de venda realizada por transmissão ao vivo.

Imagine uma apresentadora diante de uma câmera.

Ela demonstra um produto.

Explica suas características.

Responde perguntas.

Experimenta.

Compara.

Apresenta uma oferta.

E quem está assistindo pode comprar pelo ambiente digital.

É uma combinação de:

ENTRETENIMENTO
+
CONTEÚDO
+
INFLUÊNCIA
+
ATENDIMENTO
+
COMÉRCIO ELETRÔNICO.

Na China, esse formato alcançou grande escala.

E o X27 levou essa lógica para dentro de um imóvel comercial gigantesco.

O CONSUMIDOR MUDOU DE LUGAR

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de entender o X27.

O cliente não desapareceu.

Ele mudou de lugar.

No shopping tradicional, normalmente pensamos assim:

PESSOA
↓
ENTRA NO SHOPPING
↓
ANDA PELO CORREDOR
↓
VÊ A VITRINE
↓
ENTRA NA LOJA
↓
COMPRA.

No live commerce, a jornada pode ser completamente diferente:

CONSUMIDOR
↓
ABRE O CELULAR
↓
ENCONTRA UMA LIVE
↓
CONHECE O PRODUTO
↓
INTERAGE
↓
COMPRA.

O cliente pode estar a centenas ou milhares de quilômetros daquela loja.

Isso muda profundamente a relação entre:

PONTO COMERCIAL

e

AUDIÊNCIA.

POR QUE ELE FICOU CONHECIDO COMO “SHOPPING FANTASMA”?

O termo chama atenção.

Mas precisa ser explicado corretamente.

“Shopping fantasma” não é o posicionamento oficial do X27.

A expressão aparece em reportagens pelo contraste entre corredores com pouco movimento e uma intensa atividade comercial acontecendo através das transmissões.

Poucos consumidores fisicamente presentes não significam necessariamente ausência de atividade comercial.

Reportagens sobre o empreendimento mostraram justamente essa situação:

CORREDORES COM POUCO MOVIMENTO.

CÂMERAS LIGADAS.

VENDEDORES TRABALHANDO.

CONSUMIDORES DO OUTRO LADO DA TELA.

UM SHOPPING QUE FUNCIONA COMO INFRAESTRUTURA DE CONTEÚDO



É aqui que a história fica ainda mais interessante.

Talvez seja limitado analisar o X27 apenas como um shopping center tradicional.

Uma reportagem local publicada poucos dias depois da inauguração já fazia uma observação interessante:

o empreendimento parecia, em muitos aspectos, mais uma grande base de transmissões do que simplesmente um centro comercial.

Em diferentes áreas havia:

estúdios;

espaços para seleção de produtos;

áreas de transmissão;

salas;

estruturas para criadores;

e operações comerciais cercadas por infraestrutura digital.

A página institucional da Yaowang apresenta o empreendimento como estrutura capaz de apoiar transmissões, vídeos curtos, eventos, produções audiovisuais e criadores.

Ou seja:

O IMÓVEL DEIXA DE SER APENAS O LUGAR ONDE A VENDA ACONTECE.

ELE TAMBÉM PASSA A SER O LUGAR ONDE O CONTEÚDO QUE PODE GERAR A VENDA É PRODUZIDO.

MAS EXISTE UMA PARTE DA HISTÓRIA QUE NÃO PODE SER IGNORADA

Se terminássemos a matéria aqui, seria fácil chegar a uma conclusão:

“Esse é o shopping do futuro.”

Mas seria precipitado.

Porque a história do X27 também oferece um alerta importante.

Em reportagem publicada pela Exame em 3 de outubro de 2026, o empreendimento voltou a chamar atenção justamente porque o modelo não prosperou exatamente como havia sido imaginado inicialmente.

Segundo a publicação, a Yaowang terminou 2025 com queda de 31% na receita e mais um ano de prejuízo.

A reportagem também aponta que o X27 aparece apenas pontualmente no relatório anual mais recente da companhia.

Isso muda a leitura.

O X27 não deve ser observado simplesmente como:

“A fórmula que substituirá os shoppings.”

Talvez seja muito mais interessante observá-lo como:

UM GRANDE LABORATÓRIO DO VAREJO.

MÉTODO POD — APRENDA TAMBÉM COM O QUE NÃO FUNCIONOU COMO ESPERADO

Existe uma tendência natural no mundo dos negócios.

Quando aparece uma novidade impressionante, queremos descobrir rapidamente:

“Isso vai substituir o modelo atual?”

Talvez essa não seja a melhor pergunta.

Uma pergunta mais útil pode ser:

“O QUE PODEMOS APRENDER COM ESSE EXPERIMENTO?”

O X27 pode ensinar pelo que funcionou.

E também pelo que não aconteceu como originalmente projetado.

Esse é um princípio importante para qualquer empresário:

NÃO COPIE O FORMATO.

ENTENDA A LÓGICA.

O QUE O X27 ESTÁ REALMENTE TESTANDO?

Na nossa leitura, existem pelo menos cinco ideias muito importantes sendo testadas ali.

1. A LOJA PODE VENDER PARA QUEM NÃO ESTÁ NA FRENTE DELA

Esse talvez seja o conceito mais poderoso.

Historicamente, localização é uma das variáveis centrais do varejo físico.

Ainda continua sendo.

Mas canais digitais permitem que uma operação física tenha uma audiência muito maior do que o corredor onde está instalada.

2. A LOJA PODE SER TAMBÉM UM ESTÚDIO

Uma operação comercial pode deixar de ser apenas cenário para atendimento presencial.

Ela também pode produzir:

vídeos;

lives;

demonstrações;

lançamentos;

reviews;

conteúdo para redes sociais.

3. O VENDEDOR PODE SE TRANSFORMAR EM APRESENTADOR

Isso muda inclusive o perfil da equipe.

O profissional pode precisar:

conhecer profundamente o produto;

apresentá-lo diante de uma câmera;

responder perguntas;

demonstrar;

criar relacionamento;

e vender simultaneamente para uma audiência digital.

4. O ESTOQUE PODE ATENDER DOIS MUNDOS

A mesma estrutura pode estar relacionada a vendas presenciais e digitais.

Isso aumenta a importância de:

logística;

controle;

separação;

embalagem;

expedição;

integração tecnológica.

5. O METRO QUADRADO PODE TER OUTRA FUNÇÃO

Essa talvez seja a discussão mais interessante para o setor imobiliário.

Se parte da venda acontece digitalmente, determinado espaço comercial pode começar a ser avaliado também pela sua capacidade de produzir conteúdo e atender uma audiência remota.

E O QUE ISSO TEM A VER COM QUIOSQUES?

Muito.

Talvez mais do que pareça.

Imagine um quiosque de:

cosméticos;

semijoias;

óculos;

acessórios;

eletrônicos;

moda;

presentes;

doces;

produtos especializados.

Tradicionalmente, pensamos:

quantas pessoas passam na frente?

quantas param?

quantas compram?

Mas imagine acrescentar outras perguntas:

O QUIOSQUE PODE SER USADO PARA PRODUZIR CONTEÚDO?

EXISTE UM BOM ÂNGULO PARA CÂMERA?

A ILUMINAÇÃO AJUDA NA APRESENTAÇÃO DOS PRODUTOS?

A IDENTIDADE VISUAL FUNCIONA TAMBÉM EM VÍDEO?

O PRODUTO PODE SER DEMONSTRADO EM UMA LIVE?

EXISTE ESPAÇO PARA ORGANIZAR PEDIDOS?

A OPERAÇÃO CONSEGUE ATENDER CLIENTES PRESENCIAIS E DIGITAIS?

Perceba o que aconteceu.

Nós deixamos de pensar somente em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA.

E começamos a pensar em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA + MÍDIA + CONTEÚDO + RELACIONAMENTO.

DO CORREDOR PARA A TELA



Em outra matéria do POD Shopping fizemos uma recomendação:

antes de escolher um ponto para quiosque, passe um tempo observando o shopping.

Observe:

fluxo;

público;

comportamento;

operações;

visibilidade;

concorrentes.

Essa lógica continua válida.

Mas o X27 acrescenta uma pergunta fascinante:

E SE PARTE DOS SEUS CLIENTES NUNCA PASSAR NA FRENTE DO SEU QUIOSQUE?

É uma mudança enorme.

O corredor continua importante.

Mas pode deixar de ser o único corredor.

Existe também o:

FEED.

A busca.

O vídeo.

A live.

A rede social.

O WhatsApp.

O marketplace.

O site.

O consumidor pode encontrar a operação por diferentes caminhos.

O NOVO FLUXO PODE SER DIGITAL

No shopping tradicional, uma das perguntas é:

QUANTAS PESSOAS PASSAM AQUI?

No comércio conectado, outra pergunta aparece:

QUANTAS PESSOAS CONSEGUIMOS ALCANÇAR A PARTIR DAQUI?

São perguntas diferentes.

Uma mede fluxo físico.

A outra mede potencial de audiência.

E as duas podem coexistir.

ISSO SIGNIFICA QUE O SHOPPING TRADICIONAL VAI DESAPARECER?

Não há base para afirmar isso.

O próprio caso do X27 mostra que simplesmente transformar um imóvel em uma grande estrutura de live commerce não garante automaticamente sucesso econômico.

Além disso, shopping centers cumprem várias funções que vão além da compra:

alimentação;

entretenimento;

serviços;

lazer;

encontro;

experiência;

conveniência;

eventos;

e integração com outros usos urbanos.

Portanto, talvez a discussão mais interessante não seja:

FÍSICO OU DIGITAL?

Mas:

COMO O FÍSICO E O DIGITAL PODEM FUNCIONAR JUNTOS?

O BRASIL ESTÁ OLHANDO PARA ESSA EXPERIÊNCIA

O caso do X27 também passou a chamar atenção do setor brasileiro.

Reportagem da Exame publicada em outubro de 2026 relata que representantes ligados à Abrasce visitaram o empreendimento e observam o modelo como referência para pensar novas formas de integrar espaços físicos e vendas digitais.

Isso não significa que veremos amanhã um X27 brasileiro de 260 mil metros quadrados.

Mas significa que a discussão chegou ao setor.

E isso é relevante.

O SHOPPING DO FUTURO TALVEZ NÃO SEJA UM FORMATO

Talvez esse seja um dos maiores aprendizados.

Quando pensamos em “shopping do futuro”, imaginamos um prédio diferente.

Mais tecnológico.

Mais digital.

Mais automatizado.

Mas talvez o futuro não seja determinado somente pela arquitetura.

Pode ser determinado pela capacidade do empreendimento de conectar:

ESPAÇO
+
PESSOAS
+
CONTEÚDO
+
TECNOLOGIA
+
LOGÍSTICA
+
DADOS
+
COMÉRCIO.

EXPERIÊNCIA DE FÁBRICA — O PROJETO TAMBÉM PODE PRECISAR MUDAR

Durante décadas, o projeto de uma loja ou quiosque foi pensado principalmente para quem estava fisicamente diante dele.

Isso continuará sendo fundamental.

Mas novas operações podem acrescentar outras necessidades.

Por exemplo:

iluminação adequada para conteúdo;

fundos visualmente interessantes;

posicionamento de produtos;

infraestrutura elétrica;

conectividade;

organização de estoque;

espaço para equipamentos;

ângulos de câmera;

acústica;

identidade visual que funcione presencialmente e em vídeo.

Isso não significa transformar todo quiosque em estúdio.

Significa fazer uma pergunta antes de projetar:

COMO ESSA MARCA PRETENDE VENDER?

MÉTODO POD — O QUIOSQUE DE 4 CAMADAS

Para organizar essa reflexão, criamos um exercício.

Pense no futuro quiosque em quatro camadas:

CAMADA 1 — ESPAÇO

Como funciona fisicamente?

CAMADA 2 — OPERAÇÃO

Como funcionários, produtos, equipamentos e clientes utilizam esse espaço?

CAMADA 3 — MARCA

Como a identidade é percebida por quem passa?

CAMADA 4 — AUDIÊNCIA

Como essa operação pode alcançar pessoas que não estão fisicamente naquele corredor?

ESPAÇO
+
OPERAÇÃO
+
MARCA
+
AUDIÊNCIA.

Talvez os projetos comerciais dos próximos anos precisem conversar cada vez mais com essas quatro dimensões.

MAS NÃO CAIA NA ARMADILHA DA MODA

Live commerce pode ser interessante.

Isso não significa que seja adequado para todos os negócios.

Antes de investir em tecnologia ou modificar uma operação porque determinado modelo ficou famoso, pergunte:

Meu produto funciona bem em demonstração?

Meu público consome esse tipo de conteúdo?

Minha equipe consegue operar esse canal?

Existe logística?

Existe margem?

Existe audiência?

Existe estratégia?

Existe capacidade para manter produção constante de conteúdo?

Tecnologia sem modelo de negócio continua sendo apenas tecnologia.

CHECKLIST POD — SEU QUIOSQUE PODERIA VENDER ALÉM DO CORREDOR?

Responda:

1. Meu produto funciona bem em vídeo?

2. Ele pode ser demonstrado ao vivo?

3. Existe conteúdo interessante para produzir sobre ele?

4. Minha equipe conhece profundamente o produto?

5. A identidade visual funciona na câmera?

6. Existe iluminação adequada?

7. Há conectividade suficiente?

8. Existe espaço para organizar pedidos?

9. O estoque suporta vendas adicionais?

10. Minha logística consegue atender clientes fora do shopping?

11. Existe canal digital de venda?

12. Consigo medir de onde vieram os pedidos?

13. Existe alguém responsável pelo conteúdo?

14. A operação presencial continuaria funcionando bem durante uma transmissão?

15. Essa estratégia realmente faz sentido para meu cliente?

Novamente:

não existe nota.

Não existe obrigação de fazer live commerce.

O objetivo é apenas ampliar a maneira de pensar o ponto comercial.

O X27 NÃO É UMA RESPOSTA. É UMA PERGUNTA.

Talvez essa seja a conclusão mais importante desta história.

O Yaowang X27 Park não provou que todos os shoppings deveriam se transformar em centros de live commerce.

Também não provou que consumidores deixarão de frequentar shopping centers.

E seus resultados posteriores recomendam cautela com previsões exageradas.

Mas ele colocou uma pergunta enorme diante do varejo:

O QUE ACONTECE QUANDO O ALCANCE DE UMA LOJA DEIXA DE TERMINAR NA PORTA?

Talvez essa pergunta seja mais importante do que o próprio edifício.

DE UM LADO, O CORREDOR. DO OUTRO, O MUNDO.

Durante décadas, o valor de uma operação comercial esteve profundamente ligado ao lugar onde ela estava.

Isso continua relevante.

Mas agora existe outra camada.

Uma câmera pode transformar alguns metros quadrados em uma vitrine para pessoas que estão longe daquele ponto.

Uma rede social pode levar uma operação de shopping para consumidores que nunca visitaram aquele empreendimento.

Um vendedor pode atender quem está na frente do balcão e, em outro momento, apresentar o mesmo produto para uma audiência digital.

Isso não elimina o espaço físico.

Pode aumentar sua função.

CONCLUSÃO

Entre chamar o X27 de “shopping fantasma” ou “shopping do futuro”, talvez exista uma definição melhor:

LABORATÓRIO.

Um laboratório gigantesco onde varejo físico, comércio eletrônico, entretenimento, influência, tecnologia e logística foram colocados dentro do mesmo empreendimento.

Algumas hipóteses parecem poderosas.

Outras ainda precisam provar sua sustentabilidade.

E algumas talvez sejam completamente reformuladas.

Mas existe uma lição que vale para shopping centers, lojistas, franqueadores, fabricantes de quiosques e qualquer pessoa que esteja pensando no futuro do varejo:

O PONTO COMERCIAL NÃO PRECISA TERMINAR ONDE TERMINA O CORREDOR.

Talvez o próximo passo do varejo não seja escolher entre:

LOJA FÍSICA

ou

LOJA DIGITAL.

Talvez seja descobrir como transformar o espaço físico em uma plataforma capaz de trabalhar nos dois mundos.

POD SHOPPING

No POD Shopping acompanhamos shopping centers, quiosques, franquias, varejo, tecnologia e as transformações que podem mudar a maneira como compramos e vendemos.

Nosso objetivo não é anunciar qual será “o futuro”.

É observar os experimentos que estão acontecendo agora e perguntar:

O QUE ELES PODEM NOS ENSINAR?

FONTES E REFERÊNCIAS

 

 

Esse talvez seja o conceito mais poderoso.

Historicamente, localização é uma das variáveis centrais do varejo físico.

Ainda continua sendo.

Mas canais digitais permitem que uma operação física tenha uma audiência muito maior do que o corredor onde está instalada.

2. A LOJA PODE SER TAMBÉM UM ESTÚDIO

Uma operação comercial pode deixar de ser apenas cenário para atendimento presencial.

Ela também pode produzir:

vídeos;

lives;

demonstrações;

lançamentos;

reviews;

conteúdo para redes sociais.

3. O VENDEDOR PODE SE TRANSFORMAR EM APRESENTADOR

Isso muda inclusive o perfil da equipe.

O profissional pode precisar:

conhecer profundamente o produto;

apresentá-lo diante de uma câmera;

responder perguntas;

demonstrar;

criar relacionamento;

e vender simultaneamente para uma audiência digital.

4. O ESTOQUE PODE ATENDER DOIS MUNDOS

A mesma estrutura pode estar relacionada a vendas presenciais e digitais.

Isso aumenta a importância de:

Imagine entrar em um shopping de aproximadamente 260 mil metros quadrados.

As luzes estão acesas.

As vitrines estão montadas.

Existem centenas de operações.

Vendedores estão trabalhando.

Produtos estão expostos.

As escadas rolantes continuam funcionando.

Mas existe algo estranho.

Os corredores podem estar praticamente vazios.

Onde estão os clientes?

Em muitos casos, do outro lado de uma tela.

Esse lugar existe.

É o Yaowang X27 Park, em Hangzhou, na China.

E talvez seja um dos experimentos mais interessantes dos últimos anos para quem acompanha shopping centers, varejo, comércio eletrônico e o futuro dos pontos comerciais.

O empreendimento foi concebido para aproximar dois universos que durante muitos anos pareciam competir entre si:

O SHOPPING FÍSICO

e

O COMÉRCIO DIGITAL.

Só que existe uma diferença fundamental.

No X27, o consumidor não precisa necessariamente entrar no shopping.

A loja vai até ele.

PELA CÂMERA.

O SHOPPING ONDE A VITRINE TAMBÉM É UM ESTÚDIO

O Yaowang X27 Park foi inaugurado em dezembro de 2023, no distrito de Linping, em Hangzhou.

Segundo informações divulgadas na época pela imprensa local de Hangzhou, o complexo possui aproximadamente 260 mil metros quadrados.

A proposta inicial era extraordinariamente ambiciosa.

Cerca de 350 operações.

Mais de 350 transmissões ao vivo simultaneamente.

Mais de 100 mil produtos disponíveis no ecossistema.

E potencial anunciado na inauguração para incorporar milhares de apresentadores e criadores às operações de live commerce.

A própria Yaowang apresenta o X27 como um complexo de consumo que integra o ambiente digital e o físico.

Na prática, muitas lojas podem funcionar também como:

loja;

showroom;

cenário;

estúdio;

espaço para criação de conteúdo;

ponto de demonstração;

e estrutura de vendas digitais.

É quase como transformar cada operação comercial em um pequeno canal de televisão com uma loja atrás da câmera.

MAS O QUE É LIVE COMMERCE?

Live commerce é uma forma de venda realizada por transmissão ao vivo.

Imagine uma apresentadora diante de uma câmera.

Ela demonstra um produto.

Explica suas características.

Responde perguntas.

Experimenta.

Compara.

Apresenta uma oferta.

E quem está assistindo pode comprar pelo ambiente digital.

É uma combinação de:

ENTRETENIMENTO
+
CONTEÚDO
+
INFLUÊNCIA
+
ATENDIMENTO
+
COMÉRCIO ELETRÔNICO.

Na China, esse formato alcançou grande escala.

E o X27 levou essa lógica para dentro de um imóvel comercial gigantesco.

O CONSUMIDOR MUDOU DE LUGAR

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de entender o X27.

O cliente não desapareceu.

Ele mudou de lugar.

No shopping tradicional, normalmente pensamos assim:

PESSOA
↓
ENTRA NO SHOPPING
↓
ANDA PELO CORREDOR
↓
VÊ A VITRINE
↓
ENTRA NA LOJA
↓
COMPRA.

No live commerce, a jornada pode ser completamente diferente:

CONSUMIDOR
↓
ABRE O CELULAR
↓
ENCONTRA UMA LIVE
↓
CONHECE O PRODUTO
↓
INTERAGE
↓
COMPRA.

O cliente pode estar a centenas ou milhares de quilômetros daquela loja.

Isso muda profundamente a relação entre:

PONTO COMERCIAL

e

AUDIÊNCIA.

POR QUE ELE FICOU CONHECIDO COMO “SHOPPING FANTASMA”?

O termo chama atenção.

Mas precisa ser explicado corretamente.

“Shopping fantasma” não é o posicionamento oficial do X27.

A expressão aparece em reportagens pelo contraste entre corredores com pouco movimento e uma intensa atividade comercial acontecendo através das transmissões.

Poucos consumidores fisicamente presentes não significam necessariamente ausência de atividade comercial.

Reportagens sobre o empreendimento mostraram justamente essa situação:

CORREDORES COM POUCO MOVIMENTO.

CÂMERAS LIGADAS.

VENDEDORES TRABALHANDO.

CONSUMIDORES DO OUTRO LADO DA TELA.

UM SHOPPING QUE FUNCIONA COMO INFRAESTRUTURA DE CONTEÚDO

É aqui que a história fica ainda mais interessante.

Talvez seja limitado analisar o X27 apenas como um shopping center tradicional.

Uma reportagem local publicada poucos dias depois da inauguração já fazia uma observação interessante:

o empreendimento parecia, em muitos aspectos, mais uma grande base de transmissões do que simplesmente um centro comercial.

Em diferentes áreas havia:

estúdios;

espaços para seleção de produtos;

áreas de transmissão;

salas;

estruturas para criadores;

e operações comerciais cercadas por infraestrutura digital.

A página institucional da Yaowang apresenta o empreendimento como estrutura capaz de apoiar transmissões, vídeos curtos, eventos, produções audiovisuais e criadores.

Ou seja:

O IMÓVEL DEIXA DE SER APENAS O LUGAR ONDE A VENDA ACONTECE.

ELE TAMBÉM PASSA A SER O LUGAR ONDE O CONTEÚDO QUE PODE GERAR A VENDA É PRODUZIDO.

MAS EXISTE UMA PARTE DA HISTÓRIA QUE NÃO PODE SER IGNORADA

Se terminássemos a matéria aqui, seria fácil chegar a uma conclusão:

“Esse é o shopping do futuro.”

Mas seria precipitado.

Porque a história do X27 também oferece um alerta importante.

Em reportagem publicada pela Exame em 3 de outubro de 2026, o empreendimento voltou a chamar atenção justamente porque o modelo não prosperou exatamente como havia sido imaginado inicialmente.

Segundo a publicação, a Yaowang terminou 2025 com queda de 31% na receita e mais um ano de prejuízo.

A reportagem também aponta que o X27 aparece apenas pontualmente no relatório anual mais recente da companhia.

Isso muda a leitura.

O X27 não deve ser observado simplesmente como:

“A fórmula que substituirá os shoppings.”

Talvez seja muito mais interessante observá-lo como:

UM GRANDE LABORATÓRIO DO VAREJO.

MÉTODO POD — APRENDA TAMBÉM COM O QUE NÃO FUNCIONOU COMO ESPERADO

Existe uma tendência natural no mundo dos negócios.

Quando aparece uma novidade impressionante, queremos descobrir rapidamente:

“Isso vai substituir o modelo atual?”

Talvez essa não seja a melhor pergunta.

Uma pergunta mais útil pode ser:

“O QUE PODEMOS APRENDER COM ESSE EXPERIMENTO?”

O X27 pode ensinar pelo que funcionou.

E também pelo que não aconteceu como originalmente projetado.

Esse é um princípio importante para qualquer empresário:

NÃO COPIE O FORMATO.

ENTENDA A LÓGICA.

O QUE O X27 ESTÁ REALMENTE TESTANDO?

Na nossa leitura, existem pelo menos cinco ideias muito importantes sendo testadas ali.

1. A LOJA PODE VENDER PARA QUEM NÃO ESTÁ NA FRENTE DELA

Esse talvez seja o conceito mais poderoso.

Historicamente, localização é uma das variáveis centrais do varejo físico.

Ainda continua sendo.

Mas canais digitais permitem que uma operação física tenha uma audiência muito maior do que o corredor onde está instalada.

2. A LOJA PODE SER TAMBÉM UM ESTÚDIO

Uma operação comercial pode deixar de ser apenas cenário para atendimento presencial.

Ela também pode produzir:

vídeos;

lives;

demonstrações;

lançamentos;

reviews;

conteúdo para redes sociais.

3. O VENDEDOR PODE SE TRANSFORMAR EM APRESENTADOR

Isso muda inclusive o perfil da equipe.

O profissional pode precisar:

conhecer profundamente o produto;

apresentá-lo diante de uma câmera;

responder perguntas;

demonstrar;

criar relacionamento;

e vender simultaneamente para uma audiência digital.

4. O ESTOQUE PODE ATENDER DOIS MUNDOS

A mesma estrutura pode estar relacionada a vendas presenciais e digitais.

Isso aumenta a importância de:

logística;

controle;

separação;

embalagem;

expedição;

integração tecnológica.

5. O METRO QUADRADO PODE TER OUTRA FUNÇÃO

Essa talvez seja a discussão mais interessante para o setor imobiliário.

Se parte da venda acontece digitalmente, determinado espaço comercial pode começar a ser avaliado também pela sua capacidade de produzir conteúdo e atender uma audiência remota.

E O QUE ISSO TEM A VER COM QUIOSQUES?

Muito.

Talvez mais do que pareça.

Imagine um quiosque de:

cosméticos;

semijoias;

óculos;

acessórios;

eletrônicos;

moda;

presentes;

doces;

produtos especializados.

Tradicionalmente, pensamos:

quantas pessoas passam na frente?

quantas param?

quantas compram?

Mas imagine acrescentar outras perguntas:

O QUIOSQUE PODE SER USADO PARA PRODUZIR CONTEÚDO?

EXISTE UM BOM ÂNGULO PARA CÂMERA?

A ILUMINAÇÃO AJUDA NA APRESENTAÇÃO DOS PRODUTOS?

A IDENTIDADE VISUAL FUNCIONA TAMBÉM EM VÍDEO?

O PRODUTO PODE SER DEMONSTRADO EM UMA LIVE?

EXISTE ESPAÇO PARA ORGANIZAR PEDIDOS?

A OPERAÇÃO CONSEGUE ATENDER CLIENTES PRESENCIAIS E DIGITAIS?

Perceba o que aconteceu.

Nós deixamos de pensar somente em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA.

E começamos a pensar em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA + MÍDIA + CONTEÚDO + RELACIONAMENTO.

DO CORREDOR PARA A TELA

Em outra matéria do POD Shopping fizemos uma recomendação:

antes de escolher um ponto para quiosque, passe um tempo observando o shopping.

Observe:

fluxo;

público;

comportamento;

operações;

visibilidade;

concorrentes.

Essa lógica continua válida.

Mas o X27 acrescenta uma pergunta fascinante:

E SE PARTE DOS SEUS CLIENTES NUNCA PASSAR NA FRENTE DO SEU QUIOSQUE?

É uma mudança enorme.

O corredor continua importante.

Mas pode deixar de ser o único corredor.

Existe também o:

FEED.

A busca.

O vídeo.

A live.

A rede social.

O WhatsApp.

O marketplace.

O site.

O consumidor pode encontrar a operação por diferentes caminhos.

O NOVO FLUXO PODE SER DIGITAL

No shopping tradicional, uma das perguntas é:

QUANTAS PESSOAS PASSAM AQUI?

No comércio conectado, outra pergunta aparece:

QUANTAS PESSOAS CONSEGUIMOS ALCANÇAR A PARTIR DAQUI?

São perguntas diferentes.

Uma mede fluxo físico.

A outra mede potencial de audiência.

E as duas podem coexistir.

ISSO SIGNIFICA QUE O SHOPPING TRADICIONAL VAI DESAPARECER?

Não há base para afirmar isso.

O próprio caso do X27 mostra que simplesmente transformar um imóvel em uma grande estrutura de live commerce não garante automaticamente sucesso econômico.

Além disso, shopping centers cumprem várias funções que vão além da compra:

alimentação;

entretenimento;

serviços;

lazer;

encontro;

experiência;

conveniência;

eventos;

e integração com outros usos urbanos.

Portanto, talvez a discussão mais interessante não seja:

FÍSICO OU DIGITAL?

Mas:

COMO O FÍSICO E O DIGITAL PODEM FUNCIONAR JUNTOS?

O BRASIL ESTÁ OLHANDO PARA ESSA EXPERIÊNCIA

O caso do X27 também passou a chamar atenção do setor brasileiro.

Reportagem da Exame publicada em outubro de 2026 relata que representantes ligados à Abrasce visitaram o empreendimento e observam o modelo como referência para pensar novas formas de integrar espaços físicos e vendas digitais.

Isso não significa que veremos amanhã um X27 brasileiro de 260 mil metros quadrados.

Mas significa que a discussão chegou ao setor.

E isso é relevante.

O SHOPPING DO FUTURO TALVEZ NÃO SEJA UM FORMATO

Talvez esse seja um dos maiores aprendizados.

Quando pensamos em “shopping do futuro”, imaginamos um prédio diferente.

Mais tecnológico.

Mais digital.

Mais automatizado.

Mas talvez o futuro não seja determinado somente pela arquitetura.

Pode ser determinado pela capacidade do empreendimento de conectar:

ESPAÇO
+
PESSOAS
+
CONTEÚDO
+
TECNOLOGIA
+
LOGÍSTICA
+
DADOS
+
COMÉRCIO.

EXPERIÊNCIA DE FÁBRICA — O PROJETO TAMBÉM PODE PRECISAR MUDAR

Durante décadas, o projeto de uma loja ou quiosque foi pensado principalmente para quem estava fisicamente diante dele.

Isso continuará sendo fundamental.

Mas novas operações podem acrescentar outras necessidades.

Por exemplo:

iluminação adequada para conteúdo;

fundos visualmente interessantes;

posicionamento de produtos;

infraestrutura elétrica;

conectividade;

organização de estoque;

espaço para equipamentos;

ângulos de câmera;

acústica;

identidade visual que funcione presencialmente e em vídeo.

Isso não significa transformar todo quiosque em estúdio.

Significa fazer uma pergunta antes de projetar:

COMO ESSA MARCA PRETENDE VENDER?

MÉTODO POD — O QUIOSQUE DE 4 CAMADAS

Para organizar essa reflexão, criamos um exercício.

Pense no futuro quiosque em quatro camadas:

CAMADA 1 — ESPAÇO

Como funciona fisicamente?

CAMADA 2 — OPERAÇÃO

Como funcionários, produtos, equipamentos e clientes utilizam esse espaço?

CAMADA 3 — MARCA

Como a identidade é percebida por quem passa?

CAMADA 4 — AUDIÊNCIA

Como essa operação pode alcançar pessoas que não estão fisicamente naquele corredor?

ESPAÇO
+
OPERAÇÃO
+
MARCA
+
AUDIÊNCIA.

Talvez os projetos comerciais dos próximos anos precisem conversar cada vez mais com essas quatro dimensões.

MAS NÃO CAIA NA ARMADILHA DA MODA

Live commerce pode ser interessante.

Isso não significa que seja adequado para todos os negócios.

Antes de investir em tecnologia ou modificar uma operação porque determinado modelo ficou famoso, pergunte:

Meu produto funciona bem em demonstração?

Meu público consome esse tipo de conteúdo?

Minha equipe consegue operar esse canal?

Existe logística?

Existe margem?

Existe audiência?

Existe estratégia?

Existe capacidade para manter produção constante de conteúdo?

Tecnologia sem modelo de negócio continua sendo apenas tecnologia.

CHECKLIST POD — SEU QUIOSQUE PODERIA VENDER ALÉM DO CORREDOR?

Responda:

1. Meu produto funciona bem em vídeo?

2. Ele pode ser demonstrado ao vivo?

3. Existe conteúdo interessante para produzir sobre ele?

4. Minha equipe conhece profundamente o produto?

5. A identidade visual funciona na câmera?

6. Existe iluminação adequada?

7. Há conectividade suficiente?

8. Existe espaço para organizar pedidos?

9. O estoque suporta vendas adicionais?

10. Minha logística consegue atender clientes fora do shopping?

11. Existe canal digital de venda?

12. Consigo medir de onde vieram os pedidos?

13. Existe alguém responsável pelo conteúdo?

14. A operação presencial continuaria funcionando bem durante uma transmissão?

15. Essa estratégia realmente faz sentido para meu cliente?

Novamente:

não existe nota.

Não existe obrigação de fazer live commerce.

O objetivo é apenas ampliar a maneira de pensar o ponto comercial.

O X27 NÃO É UMA RESPOSTA. É UMA PERGUNTA.

Talvez essa seja a conclusão mais importante desta história.

O Yaowang X27 Park não provou que todos os shoppings deveriam se transformar em centros de live commerce.

Também não provou que consumidores deixarão de frequentar shopping centers.

E seus resultados posteriores recomendam cautela com previsões exageradas.

Mas ele colocou uma pergunta enorme diante do varejo:

O QUE ACONTECE QUANDO O ALCANCE DE UMA LOJA DEIXA DE TERMINAR NA PORTA?

Talvez essa pergunta seja mais importante do que o próprio edifício.

DE UM LADO, O CORREDOR. DO OUTRO, O MUNDO.

Durante décadas, o valor de uma operação comercial esteve profundamente ligado ao lugar onde ela estava.

Isso continua relevante.

Mas agora existe outra camada.

Uma câmera pode transformar alguns metros quadrados em uma vitrine para pessoas que estão longe daquele ponto.

Uma rede social pode levar uma operação de shopping para consumidores que nunca visitaram aquele empreendimento.

Um vendedor pode atender quem está na frente do balcão e, em outro momento, apresentar o mesmo produto para uma audiência digital.

Isso não elimina o espaço físico.

Pode aumentar sua função.

CONCLUSÃO

Entre chamar o X27 de “shopping fantasma” ou “shopping do futuro”, talvez exista uma definição melhor:

LABORATÓRIO.

Um laboratório gigantesco onde varejo físico, comércio eletrônico, entretenimento, influência, tecnologia e logística foram colocados dentro do mesmo empreendimento.

Algumas hipóteses parecem poderosas.

Outras ainda precisam provar sua sustentabilidade.

E algumas talvez sejam completamente reformuladas.

Mas existe uma lição que vale para shopping centers, lojistas, franqueadores, fabricantes de quiosques e qualquer pessoa que esteja pensando no futuro do varejo:

O PONTO COMERCIAL NÃO PRECISA TERMINAR ONDE TERMINA O CORREDOR.

Talvez o próximo passo do varejo não seja escolher entre:

LOJA FÍSICA

ou

LOJA DIGITAL.

Talvez seja descobrir como transformar o espaço físico em uma plataforma capaz de trabalhar nos dois mundos.

POD SHOPPING

No POD Shopping acompanhamos shopping centers, quiosques, franquias, varejo, tecnologia e as transformações que podem mudar a maneira como compramos e vendemos.

Nosso objetivo não é anunciar qual será “o futuro”.

É observar os experimentos que estão acontecendo agora e perguntar:

O QUE ELES PODEM NOS ENSINAR?

Imagine entrar em um shopping de aproximadamente 260 mil metros quadrados.

As luzes estão acesas.

As vitrines estão montadas.

Existem centenas de operações.

Vendedores estão trabalhando.

Produtos estão expostos.

As escadas rolantes continuam funcionando.

Mas existe algo estranho.

Os corredores podem estar praticamente vazios.

Onde estão os clientes?

Em muitos casos, do outro lado de uma tela.

Esse lugar existe.

É o Yaowang X27 Park, em Hangzhou, na China.

E talvez seja um dos experimentos mais interessantes dos últimos anos para quem acompanha shopping centers, varejo, comércio eletrônico e o futuro dos pontos comerciais.

O empreendimento foi concebido para aproximar dois universos que durante muitos anos pareciam competir entre si:

O SHOPPING FÍSICO

e

O COMÉRCIO DIGITAL.

Só que existe uma diferença fundamental.

No X27, o consumidor não precisa necessariamente entrar no shopping.

A loja vai até ele.

PELA CÂMERA.

O SHOPPING ONDE A VITRINE TAMBÉM É UM ESTÚDIO

O Yaowang X27 Park foi inaugurado em dezembro de 2023, no distrito de Linping, em Hangzhou.

Segundo informações divulgadas na época pela imprensa local de Hangzhou, o complexo possui aproximadamente 260 mil metros quadrados.

A proposta inicial era extraordinariamente ambiciosa.

Cerca de 350 operações.

Mais de 350 transmissões ao vivo simultaneamente.

Mais de 100 mil produtos disponíveis no ecossistema.

E potencial anunciado na inauguração para incorporar milhares de apresentadores e criadores às operações de live commerce.

A própria Yaowang apresenta o X27 como um complexo de consumo que integra o ambiente digital e o físico.

Na prática, muitas lojas podem funcionar também como:

loja;

showroom;

cenário;

estúdio;

espaço para criação de conteúdo;

ponto de demonstração;

e estrutura de vendas digitais.

É quase como transformar cada operação comercial em um pequeno canal de televisão com uma loja atrás da câmera.

MAS O QUE É LIVE COMMERCE?

Live commerce é uma forma de venda realizada por transmissão ao vivo.

Imagine uma apresentadora diante de uma câmera.

Ela demonstra um produto.

Explica suas características.

Responde perguntas.

Experimenta.

Compara.

Apresenta uma oferta.

E quem está assistindo pode comprar pelo ambiente digital.

É uma combinação de:

ENTRETENIMENTO
+
CONTEÚDO
+
INFLUÊNCIA
+
ATENDIMENTO
+
COMÉRCIO ELETRÔNICO.

Na China, esse formato alcançou grande escala.

E o X27 levou essa lógica para dentro de um imóvel comercial gigantesco.

O CONSUMIDOR MUDOU DE LUGAR

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de entender o X27.

O cliente não desapareceu.

Ele mudou de lugar.

No shopping tradicional, normalmente pensamos assim:

PESSOA
↓
ENTRA NO SHOPPING
↓
ANDA PELO CORREDOR
↓
VÊ A VITRINE
↓
ENTRA NA LOJA
↓
COMPRA.

No live commerce, a jornada pode ser completamente diferente:

CONSUMIDOR
↓
ABRE O CELULAR
↓
ENCONTRA UMA LIVE
↓
CONHECE O PRODUTO
↓
INTERAGE
↓
COMPRA.

O cliente pode estar a centenas ou milhares de quilômetros daquela loja.

Isso muda profundamente a relação entre:

PONTO COMERCIAL

e

AUDIÊNCIA.

POR QUE ELE FICOU CONHECIDO COMO “SHOPPING FANTASMA”?

O termo chama atenção.

Mas precisa ser explicado corretamente.

“Shopping fantasma” não é o posicionamento oficial do X27.

A expressão aparece em reportagens pelo contraste entre corredores com pouco movimento e uma intensa atividade comercial acontecendo através das transmissões.

Poucos consumidores fisicamente presentes não significam necessariamente ausência de atividade comercial.

Reportagens sobre o empreendimento mostraram justamente essa situação:

CORREDORES COM POUCO MOVIMENTO.

CÂMERAS LIGADAS.

VENDEDORES TRABALHANDO.

CONSUMIDORES DO OUTRO LADO DA TELA.

UM SHOPPING QUE FUNCIONA COMO INFRAESTRUTURA DE CONTEÚDO

É aqui que a história fica ainda mais interessante.

Talvez seja limitado analisar o X27 apenas como um shopping center tradicional.

Uma reportagem local publicada poucos dias depois da inauguração já fazia uma observação interessante:

o empreendimento parecia, em muitos aspectos, mais uma grande base de transmissões do que simplesmente um centro comercial.

Em diferentes áreas havia:

estúdios;

espaços para seleção de produtos;

áreas de transmissão;

salas;

estruturas para criadores;

e operações comerciais cercadas por infraestrutura digital.

A página institucional da Yaowang apresenta o empreendimento como estrutura capaz de apoiar transmissões, vídeos curtos, eventos, produções audiovisuais e criadores.

Ou seja:

O IMÓVEL DEIXA DE SER APENAS O LUGAR ONDE A VENDA ACONTECE.

ELE TAMBÉM PASSA A SER O LUGAR ONDE O CONTEÚDO QUE PODE GERAR A VENDA É PRODUZIDO.

MAS EXISTE UMA PARTE DA HISTÓRIA QUE NÃO PODE SER IGNORADA

Se terminássemos a matéria aqui, seria fácil chegar a uma conclusão:

“Esse é o shopping do futuro.”

Mas seria precipitado.

Porque a história do X27 também oferece um alerta importante.

Em reportagem publicada pela Exame em 3 de outubro de 2026, o empreendimento voltou a chamar atenção justamente porque o modelo não prosperou exatamente como havia sido imaginado inicialmente.

Segundo a publicação, a Yaowang terminou 2025 com queda de 31% na receita e mais um ano de prejuízo.

A reportagem também aponta que o X27 aparece apenas pontualmente no relatório anual mais recente da companhia.

Isso muda a leitura.

O X27 não deve ser observado simplesmente como:

“A fórmula que substituirá os shoppings.”

Talvez seja muito mais interessante observá-lo como:

UM GRANDE LABORATÓRIO DO VAREJO.

MÉTODO POD — APRENDA TAMBÉM COM O QUE NÃO FUNCIONOU COMO ESPERADO

Existe uma tendência natural no mundo dos negócios.

Quando aparece uma novidade impressionante, queremos descobrir rapidamente:

“Isso vai substituir o modelo atual?”

Talvez essa não seja a melhor pergunta.

Uma pergunta mais útil pode ser:

“O QUE PODEMOS APRENDER COM ESSE EXPERIMENTO?”

O X27 pode ensinar pelo que funcionou.

E também pelo que não aconteceu como originalmente projetado.

Esse é um princípio importante para qualquer empresário:

NÃO COPIE O FORMATO.

ENTENDA A LÓGICA.

O QUE O X27 ESTÁ REALMENTE TESTANDO?

Na nossa leitura, existem pelo menos cinco ideias muito importantes sendo testadas ali.

1. A LOJA PODE VENDER PARA QUEM NÃO ESTÁ NA FRENTE DELA

Esse talvez seja o conceito mais poderoso.

Historicamente, localização é uma das variáveis centrais do varejo físico.

Ainda continua sendo.

Mas canais digitais permitem que uma operação física tenha uma audiência muito maior do que o corredor onde está instalada.

2. A LOJA PODE SER TAMBÉM UM ESTÚDIO

Uma operação comercial pode deixar de ser apenas cenário para atendimento presencial.

Ela também pode produzir:

vídeos;

lives;

demonstrações;

lançamentos;

reviews;

conteúdo para redes sociais.

3. O VENDEDOR PODE SE TRANSFORMAR EM APRESENTADOR

Isso muda inclusive o perfil da equipe.

O profissional pode precisar:

conhecer profundamente o produto;

apresentá-lo diante de uma câmera;

responder perguntas;

demonstrar;

criar relacionamento;

e vender simultaneamente para uma audiência digital.

4. O ESTOQUE PODE ATENDER DOIS MUNDOS

A mesma estrutura pode estar relacionada a vendas presenciais e digitais.

Isso aumenta a importância de:

logística;

controle;

separação;

embalagem;

expedição;

integração tecnológica.

5. O METRO QUADRADO PODE TER OUTRA FUNÇÃO

Essa talvez seja a discussão mais interessante para o setor imobiliário.

Se parte da venda acontece digitalmente, determinado espaço comercial pode começar a ser avaliado também pela sua capacidade de produzir conteúdo e atender uma audiência remota.

E O QUE ISSO TEM A VER COM QUIOSQUES?

Muito.

Talvez mais do que pareça.

Imagine um quiosque de:

cosméticos;

semijoias;

óculos;

acessórios;

eletrônicos;

moda;

presentes;

doces;

produtos especializados.

Tradicionalmente, pensamos:

quantas pessoas passam na frente?

quantas param?

quantas compram?

Mas imagine acrescentar outras perguntas:

O QUIOSQUE PODE SER USADO PARA PRODUZIR CONTEÚDO?

EXISTE UM BOM ÂNGULO PARA CÂMERA?

A ILUMINAÇÃO AJUDA NA APRESENTAÇÃO DOS PRODUTOS?

A IDENTIDADE VISUAL FUNCIONA TAMBÉM EM VÍDEO?

O PRODUTO PODE SER DEMONSTRADO EM UMA LIVE?

EXISTE ESPAÇO PARA ORGANIZAR PEDIDOS?

A OPERAÇÃO CONSEGUE ATENDER CLIENTES PRESENCIAIS E DIGITAIS?

Perceba o que aconteceu.

Nós deixamos de pensar somente em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA.

E começamos a pensar em:

QUIOSQUE COMO PONTO DE VENDA + MÍDIA + CONTEÚDO + RELACIONAMENTO.

DO CORREDOR PARA A TELA

Em outra matéria do POD Shopping fizemos uma recomendação:

antes de escolher um ponto para quiosque, passe um tempo observando o shopping.

Observe:

fluxo;

público;

comportamento;

operações;

visibilidade;

concorrentes.

Essa lógica continua válida.

Mas o X27 acrescenta uma pergunta fascinante:

E SE PARTE DOS SEUS CLIENTES NUNCA PASSAR NA FRENTE DO SEU QUIOSQUE?

É uma mudança enorme.

O corredor continua importante.

Mas pode deixar de ser o único corredor.

Existe também o:

FEED.

A busca.

O vídeo.

A live.

A rede social.

O WhatsApp.

O marketplace.

O site.

O consumidor pode encontrar a operação por diferentes caminhos.

O NOVO FLUXO PODE SER DIGITAL

No shopping tradicional, uma das perguntas é:

QUANTAS PESSOAS PASSAM AQUI?

No comércio conectado, outra pergunta aparece:

QUANTAS PESSOAS CONSEGUIMOS ALCANÇAR A PARTIR DAQUI?

São perguntas diferentes.

Uma mede fluxo físico.

A outra mede potencial de audiência.

E as duas podem coexistir.

ISSO SIGNIFICA QUE O SHOPPING TRADICIONAL VAI DESAPARECER?

Não há base para afirmar isso.

O próprio caso do X27 mostra que simplesmente transformar um imóvel em uma grande estrutura de live commerce não garante automaticamente sucesso econômico.

Além disso, shopping centers cumprem várias funções que vão além da compra:

alimentação;

entretenimento;

serviços;

lazer;

encontro;

experiência;

conveniência;

eventos;

e integração com outros usos urbanos.

Portanto, talvez a discussão mais interessante não seja:

FÍSICO OU DIGITAL?

Mas:

COMO O FÍSICO E O DIGITAL PODEM FUNCIONAR JUNTOS?

O BRASIL ESTÁ OLHANDO PARA ESSA EXPERIÊNCIA

O caso do X27 também passou a chamar atenção do setor brasileiro.

Reportagem da Exame publicada em outubro de 2026 relata que representantes ligados à Abrasce visitaram o empreendimento e observam o modelo como referência para pensar novas formas de integrar espaços físicos e vendas digitais.

Isso não significa que veremos amanhã um X27 brasileiro de 260 mil metros quadrados.

Mas significa que a discussão chegou ao setor.

E isso é relevante.

O SHOPPING DO FUTURO TALVEZ NÃO SEJA UM FORMATO

Talvez esse seja um dos maiores aprendizados.

Quando pensamos em “shopping do futuro”, imaginamos um prédio diferente.

Mais tecnológico.

Mais digital.

Mais automatizado.

Mas talvez o futuro não seja determinado somente pela arquitetura.

Pode ser determinado pela capacidade do empreendimento de conectar:

ESPAÇO
+
PESSOAS
+
CONTEÚDO
+
TECNOLOGIA
+
LOGÍSTICA
+
DADOS
+
COMÉRCIO.

EXPERIÊNCIA DE FÁBRICA — O PROJETO TAMBÉM PODE PRECISAR MUDAR

Durante décadas, o projeto de uma loja ou quiosque foi pensado principalmente para quem estava fisicamente diante dele.

Isso continuará sendo fundamental.

Mas novas operações podem acrescentar outras necessidades.

Por exemplo:

iluminação adequada para conteúdo;

fundos visualmente interessantes;

posicionamento de produtos;

infraestrutura elétrica;

conectividade;

organização de estoque;

espaço para equipamentos;

ângulos de câmera;

acústica;

identidade visual que funcione presencialmente e em vídeo.

Isso não significa transformar todo quiosque em estúdio.

Significa fazer uma pergunta antes de projetar:

COMO ESSA MARCA PRETENDE VENDER?

MÉTODO POD — O QUIOSQUE DE 4 CAMADAS

Para organizar essa reflexão, criamos um exercício.

Pense no futuro quiosque em quatro camadas:

CAMADA 1 — ESPAÇO

Como funciona fisicamente?

CAMADA 2 — OPERAÇÃO

Como funcionários, produtos, equipamentos e clientes utilizam esse espaço?

CAMADA 3 — MARCA

Como a identidade é percebida por quem passa?

CAMADA 4 — AUDIÊNCIA

Como essa operação pode alcançar pessoas que não estão fisicamente naquele corredor?

ESPAÇO
+
OPERAÇÃO
+
MARCA
+
AUDIÊNCIA.

Talvez os projetos comerciais dos próximos anos precisem conversar cada vez mais com essas quatro dimensões.

MAS NÃO CAIA NA ARMADILHA DA MODA

Live commerce pode ser interessante.

Isso não significa que seja adequado para todos os negócios.

Antes de investir em tecnologia ou modificar uma operação porque determinado modelo ficou famoso, pergunte:

Meu produto funciona bem em demonstração?

Meu público consome esse tipo de conteúdo?

Minha equipe consegue operar esse canal?

Existe logística?

Existe margem?

Existe audiência?

Existe estratégia?

Existe capacidade para manter produção constante de conteúdo?

Tecnologia sem modelo de negócio continua sendo apenas tecnologia.

CHECKLIST POD — SEU QUIOSQUE PODERIA VENDER ALÉM DO CORREDOR?

Responda:

1. Meu produto funciona bem em vídeo?

2. Ele pode ser demonstrado ao vivo?

3. Existe conteúdo interessante para produzir sobre ele?

4. Minha equipe conhece profundamente o produto?

5. A identidade visual funciona na câmera?

6. Existe iluminação adequada?

7. Há conectividade suficiente?

8. Existe espaço para organizar pedidos?

9. O estoque suporta vendas adicionais?

10. Minha logística consegue atender clientes fora do shopping?

11. Existe canal digital de venda?

12. Consigo medir de onde vieram os pedidos?

13. Existe alguém responsável pelo conteúdo?

14. A operação presencial continuaria funcionando bem durante uma transmissão?

15. Essa estratégia realmente faz sentido para meu cliente?

Novamente:

não existe nota.

Não existe obrigação de fazer live commerce.

O objetivo é apenas ampliar a maneira de pensar o ponto comercial.

O X27 NÃO É UMA RESPOSTA. É UMA PERGUNTA.

Talvez essa seja a conclusão mais importante desta história.

O Yaowang X27 Park não provou que todos os shoppings deveriam se transformar em centros de live commerce.

Também não provou que consumidores deixarão de frequentar shopping centers.

E seus resultados posteriores recomendam cautela com previsões exageradas.

Mas ele colocou uma pergunta enorme diante do varejo:

O QUE ACONTECE QUANDO O ALCANCE DE UMA LOJA DEIXA DE TERMINAR NA PORTA?

Talvez essa pergunta seja mais importante do que o próprio edifício.

DE UM LADO, O CORREDOR. DO OUTRO, O MUNDO.

Durante décadas, o valor de uma operação comercial esteve profundamente ligado ao lugar onde ela estava.

Isso continua relevante.

Mas agora existe outra camada.

Uma câmera pode transformar alguns metros quadrados em uma vitrine para pessoas que estão longe daquele ponto.

Uma rede social pode levar uma operação de shopping para consumidores que nunca visitaram aquele empreendimento.

Um vendedor pode atender quem está na frente do balcão e, em outro momento, apresentar o mesmo produto para uma audiência digital.

Isso não elimina o espaço físico.

Pode aumentar sua função.

CONCLUSÃO

Entre chamar o X27 de “shopping fantasma” ou “shopping do futuro”, talvez exista uma definição melhor:

LABORATÓRIO.

Um laboratório gigantesco onde varejo físico, comércio eletrônico, entretenimento, influência, tecnologia e logística foram colocados dentro do mesmo empreendimento.

Algumas hipóteses parecem poderosas.

Outras ainda precisam provar sua sustentabilidade.

E algumas talvez sejam completamente reformuladas.

Mas existe uma lição que vale para shopping centers, lojistas, franqueadores, fabricantes de quiosques e qualquer pessoa que esteja pensando no futuro do varejo:

O PONTO COMERCIAL NÃO PRECISA TERMINAR ONDE TERMINA O CORREDOR.

Talvez o próximo passo do varejo não seja escolher entre:

LOJA FÍSICA

ou

LOJA DIGITAL.

Talvez seja descobrir como transformar o espaço físico em uma plataforma capaz de trabalhar nos dois mundos.

POD SHOPPING

No POD Shopping acompanhamos shopping centers, quiosques, franquias, varejo, tecnologia e as transformações que podem mudar a maneira como compramos e vendemos.

Nosso objetivo não é anunciar qual será “o futuro”.

É observar os experimentos que estão acontecendo agora e perguntar:

O QUE ELES PODEM NOS ENSINAR?

FONTES E REFERÊNCIAS

 

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