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Shoppings centers no Brasil podem deixar de abrir aos domingos: o que está em jogo

 

Contexto geral da discussão

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Uma discussão relevante para o varejo brasileiro voltou ao centro do debate: a possibilidade de shoppings centers deixarem de ser obrigados a abrir aos domingos. O tema envolve interesses de lojistas, administradoras, trabalhadores e consumidores, e tem impacto direto no modelo de negócios do setor.

Atualmente, o funcionamento aos domingos é uma prática consolidada, especialmente em grandes centros urbanos. No entanto, pressões econômicas e trabalhistas têm levado parte do setor a questionar essa obrigatoriedade.


Quem está puxando o debate

Entidades representativas como a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) e associações de lojistas vêm discutindo maior flexibilização da abertura, especialmente em mercados onde o fluxo dominical não compensa os custos operacionais.

Além disso, sindicatos do comércio também participam das negociações, já que o trabalho aos domingos envolve custos adicionais, escalas diferenciadas e acordos coletivos específicos.


Principais motivos para a possível mudança

1. Custo operacional elevado

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Abrir aos domingos implica custos relevantes:

  • Folha de pagamento com adicionais
  • Energia, segurança e limpeza
  • Operação completa de infraestrutura

Para muitos lojistas — principalmente pequenos e médios —, o faturamento do domingo não cobre essas despesas.


2. Mudança no comportamento do consumidor

Com o crescimento do e-commerce e a consolidação de modelos híbridos, o consumidor não depende mais do domingo para ir ao shopping. Plataformas digitais e apps de entrega reduziram a necessidade

 de deslocamento.

Além disso, o domingo passou a ser visto por parte da população como um dia mais voltado ao lazer fora do ambiente de consumo tradicional.


3. Assimetria entre grandes e pequenos lojistas

Grandes redes têm mais capacidade de absorver custos e operar todos os dias. Já lojistas independentes enfrentam dificuldades para manter equipes completas em regime dominical.

Essa diferença gera um desequilíbrio competitivo dentro dos próprios shoppings.


4. Questões trabalhistas

A abertura aos domingos exige negociações com sindicatos e cumprimento de regras específicas:

  • Escalas de revezamento
  • Pagamento de adicionais
  • Folgas compensatórias

Em alguns casos, há pressão por melhores condições ou redução da obrigatoriedade de trabalho nesses dias.


O que pode mudar na prática

Caso a flexibilização avance, o cenário mais provável não é o fechamento total dos shoppings aos domingos, mas sim:

  • Abertura facultativa para lojas
  • Funcionamento parcial (alimentação e lazer abertos, varejo opcional)
  • Redução de horário
  • Modelos adaptados por região e perfil de público

Ou seja, o shopping continuaria aberto, mas com operação mais enxuta.


Impactos para o setor

Para lojistas

  • Redução de custos operacionais
  • Maior controle sobre escala de funcionários
  • Possível perda de vendas em datas específicas

Para administradoras

  • Desafio de manter fluxo e atratividade
  • Necessidade de reinventar o domingo como experiência (lazer, eventos)

Para consumidores

  • Menor previsibilidade de lojas abertas
  • Mais foco em entretenimento e gastronomia

Tendência internacional

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Em vários países europeus, como Alemanha e Suíça, o fechamento do comércio aos domingos é regra ou altamente restrito. Esses mercados mostram que o varejo pode se adaptar a modelos com menos dias de operação — embora com forte planejamento urbano e cultural.


Conclusão

A discussão sobre o funcionamento dos shoppings aos domingos no Brasil reflete uma transformação maior no varejo: busca por eficiência, adaptação ao novo consumidor e equilíbrio nas relações de trabalho.

Ainda não há uma mudança definitiva em nível nacional, pois as regras dependem de legislação local e acordos coletivos. No entanto, o tema ganhou força e deve continuar evoluindo — especialmente em cidades onde o domingo já apresenta baixa performance.



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